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Arrumação

​ Abrir as janelas Deixar o sol entrar Tirar a poeira Limpar os cantos Da casa e da alma Regar as plantas Enxugar os olhos Ouvir a música que faz dançar Entender o que se pode Deixar ir o que não quer ficar Olha para si com respeito Há coisas que não têm jeito... Se o tempo ajudar, Uma praia, um luar A vida vai mostrar Deus vai conduzir O caminho de paz a seguir. (Alexon Fernandes)

Queda

A queda  Que me machuca os joelhos,  Me rala as mãos  E quebra meus dentes  Faz ver o mundo por baixo Me perco, não me acho Me faz aprender de tanto doer nos ossos, ao me tirar bifes  A queda é pedir que fiques  Ao espatifar-me na porta que fechas. Arrebento minha derme E para o que serve a queda, A não ser para que do sangue  venham feias flores cicatrizes,  filhas de dores raízes (Alexon Fernandes)

Loucura

A minha loucura: Acreditar que loucura  é coisa que se cura  Não! Loucura é coisa que dura Nada se pode fazer A não ser pedir à Deus  Para da tua loucura esquecer.  (Alexon Fernandes)

O TRABALHO A SER FEITO

"O todo é maior do que a simples soma das suas partes." (Aristoteles) As relações, cada vez mais, esvaem-se com facilidade. Paradoxalmente, por mais que se demande, o verdadeiro interesse e a disposição em estabelecer e manter um relacionamento saudável e duradouro é cada vez menor, por motivos variados. A velocidade da vida, a baixa durabilidade das coisas e os prazos de validade reduzidos nos provocam a abreviar tudo e resumir tudo à feeds de notícias. Perdemos a paciência.  Escasseamos a vontade  e o talento para construir e nos tornamos ávidos pelas coisas prontas. E, já que não podemos nos livrar de ter problemas, que as soluções estejam nas prateleiras, nos livros, nos gurus, no outro. Mas, já disse J. P. Sartre, o inferno é o outro. Esse "inferno" é justamente a difícil missão da construção de algo sólido com quem é diferente.  É custoso e delicado jogar coisas fora, abrir espaço, entrar e deixar entrar - seja na casa, na rotina, na vida. Essa construç...

Noite

Vou te comprar umas flores Vou colocar uma música Vou te servir um jantar Vou passar um café Depois vou te abraçar Fazer-te cafuné E depois de muitos amores Vou contigo dormir Até...

A Tarde

A tarde cai, inevitável e azul Um vento sul no rosto Era paz, nada mais A tarde vai e um ponto de luz cintila Era a primeira estrela que lembra Quem já nem se lembra mais da dor Do que foi, do medo de um velho enredo A tarde já era tarde, era noite E dia virá, novo e brilhante E neste instante, não distante Era a paz, nada mais. (Alexon Fernandes)

Distância

Imagem

Evasão

​ ​ Usas a evasão Para não dizeres o "não" Que temes não crer. E sem razão desistes Do que sentiste E não mais insistes Deixas então que se esvaia, Que saia, desapareça. Areia fina em peneira, Até que só pedra permaneça E a dureza prevaleça. Evasão... Numa fração de tempo Já não és mais ação. Nem canção. És memória, nem de glória ou derrota, Pouco importa. És vazão. (Alexon Fernandes)

Seu bem

​ Gente, tanta gente... Em meio essa gente Eu vi você... Tão diferente Sorridente... Sei lá porquê Eu vi você... Você não me viu Sorriu, Riu de mim, igual a vida Que se diverte com meus tropeços, tombos e machucados E você, achado? Tão diferente... Eu, assustado. Encantado... Homem feito, feito menino Procuro a sua mão, porque tenho medo Do escuro, do que vem depois do muro. Me leva, me cuida, não me iluda. Trate-me bem E, sempre que lembrar, Me chame de seu bem. (Alexon Fernandes)

Abraço

Eu sou abraço.  Minha alma em braços  Que entrelaço-te, até que sintas  Meu peito compasso. Deixa-me abraço Pés descalços e alma nua A luz de uma lua sozinha No firmamento, testemunha o momento  De um abraço que nos faz um  Agora somos um lindo laço Tudo por causa de um abraço.  (Alexon Fernandes)

Pensar-te

Penso em dizer-te Sobre provar-te em gostos e fluidos  E em miúdos pesquisar-te Sentir-te em velocidade lenta  Com quem tenta não acabar o tempo,  Prolongando o momento. Fazendo eterno o finito.  E o bonito disso é que não me canso, Eu não descanso de querer-te Nem sei porque tanto, nem porque canto Esta querência em versos desformes  Talvez para que somente te informes Que eu, dentre tantos pobres, O mais rico seria, se somente de novo possuir-te um dia.   (Alexon Fernandes)

A Janela

A janela me mostra  O que já não lembrava  A imagem que se apagava  Na minha mente cansada  A janela que se abre  Um novo horizonte se traça Tem surpresas? Quem sabe? Coisa que fica, gente que passa  A janela que me vê Alguém que se mostra e sorri  Ela pode ser quem nunca vi Ela pode ser você  (Alexon Fernandes)

Estações

É outono... época instável, uma ferrugem cobre as folhas, que morrerão, cairão e levarão com elas as dores de outra estação. A natureza troca de roupa, como que no expurgo de suas mágoas e seus ais. E jaz no outono a dor de um amor. Que se foi, que já não mais floria e fazia pesos nos galhos. Em breve, chega o inverno. Em neve, branca e gelada. Que nos fechará as estradas. Lá fora o frio vento. Aqui dentro o alento quente da gente tentando aquecimento. Vem cá... Eu te abraço e de amor te aqueço. Esqueço de mim e vivo o nós, que agora a sós temos tanto tempo. Pouco tempo. Todo o tempo. Pois depois que o inverno passar, só nos restará a primavera.  

Carne-boca

Imagino tua carne-boca  Encostando na minha, Molhas meus lábios  e abres teus átrios,  para eu entre, tímido mas certo.  E de tão certo, trago-te perto  do meu peito, de um jeito que despertas...  Aí apertas-me, aceitas-me.  Regas... meus desejos e ensejos. Afogas... minhas desgraças.  De mim fazes graça, brincas, mordiscas, lambes.  E no que tange ao que imagino,  sou teu menino, sentindo,  nutrindo-me de tua carne-viva. Carne-alma... beijo... (Alexon Fernandes)

Lojinha

Na loja Coração, Tem, mas acabou... Passe amanhã. Fechamos para balanço  E o saldo é promoção. Ficou maluco o patrão, E o cliente, nem sempre tem razão (Alexon Fernandes)

Amortododia

O amassado "bom dia" De manias, engraçado  Que vai à feira e ao mercado  Deixa recado, nada é guardado  Só cuidado  Pijama e camisola, short e calcinha,  roupa estendida no varal Grama crescida no quintal Conta de luz, telefone e gás  Uma tarde tranquila, um som jazz Quem bem nos faz  Um amortododia Que não deixa a vida vazia  Do jeito que a gente queria A palavra no olhar  e o sentimento no tocar Ouvir bem perto à léguas de distância  Estar por perto em qualquer circustância Conjugando o verbo ser E um ao outro ter  Um amortododia  Todo mundo merece viver  (Alexon Fernandes)

Humor

É simples: Ser minimamente bem humorado é uma das chaves que todo sujeito deve levar em seu chaveirinho da vida. Já temos problemas demais, crises demais, freios demais. Se não levarmos a vida com certa leveza e humor, já era.  Humor não é gaiatice. É uma questão de tom. Humor é o cool jazz  dos comportamentos. É estar super atento, muitas vezes fingindo que não está nem aí. É a autocrítica sem autoflagelo. É fazer a namorada rir no cinema lotado ou lhe provocar aquela gargalhada gostosa ao ler o bilhete surpresa, que você deixou última página que ela leu no livro da vez. É energia! Uma das mais preciosas, diga-se. E como tal, tem o poder de atração ou repulsa. Humor atrai as melhores pessoas, os melhores sentimentos e as melhores situações na vida. E se junto do humor vier aquela pitada de elegância, o resultado é avassalador (no melhor dos sentidos).  Cultivemos e exercitemos o nosso humor. Façamos disso a jeito da vida e da alma. Usemo...

Lágrimas

Há lágrimas represadas, reprimidas lástimas Que não migram, que não saem Lágrimas que não formam rio E não vão para o mar  Sequer se deixam navegar  Lágrimas, precisam verter Seu volume me pesa Lágrimas, em reza, eu peço Deixem de por dentro me afogar  E que fiquem somente as lágrimas de me regar (Alexon Fernandes)

Nuvens

Vou ali nas nuvens  Vou me encontrar e me perder Onde vejo tudo de cima E ninguém me vê  Vou lá bem alto Sem medo da altura ou do salto Faço das nuvens chão  Meu brinquedo de avião  Vou para as nuvens fugir  La em cima tentar esquecer  Um amor que vir partir  Uma dor que cisma em doer

Sugerência

Sugiro que pares Que voltes e analises  O que fizeste e escolheste  Sugiro que te coloques  No lugar em que o outro puseste Sugiro que relembres o que disseste E o que provocaste com tuas palavras  Sugiro que te atentes para o que causaste A ilusão, o tombo e o desgaste  Sugiro que reflitas  Pois a dor que evitas  A alguém causaste Sugiro que não escolhas O que não podes carregar  Nem que despertes A quem não podes amar. (Alexon Fernandes) 

Dor de Sambista (Uma letra para um samba)

Enfim passará.  Porque se não passar, ficará  Guardado lá no fundo E saberá ninguém no mundo Igual ao sorrido do sambista Que disfarça ainda que a dor insista. E essa dor que guardou Que inspirou a melodia   Viu raiar um novo dia  E, quem sabe, um novo amor. (Alexon Fernandes)

Padrão

De tantas coisas, t antas crenças  Tantos sonhos q ue se vão,  Tudo em vão... Mas vazio serão os corações Se deixarmos de lado e moções e sensações  Não podemos... Sei que corremos riscos. Mas se não for isso, o  que seremos? Acreditemos, então, q ue terá outro jeito Por que não?  Nada é perfeito, n enhum de nós  Melhor que não sejamos sós.  Sejamos nós. Com tantos nós a desatar e t anto "nós" a abraçar.  Vem cá... mudemos o padrão. Vivamos a paixão. (Alexon Fernandes)

Todas as Formas.

Quero te amar de corpo A ti dedicar os cuidados e exercícios Que tenhas nele desejo e conforto E cries até um certo vício... Quero te amar de alma Te olhar nos olhos, saber te ouvir Entender tua luta e tua calma Para o bom que vier de ti eu fruir Quero te amar a tua carne densa Tuas curvas e teus odores E beijar tua boca intensa Me refastelar em teus sabores. Quero te amar sem correria Em incontáveis beijos demorados Sem a aflição do dia-à-dia Em abraços calados. Quero te amar engraçado Ser tua farra e tua festa Fazer-te rir sem cuidado Gozar o tempo que nos resta Eu quero te amar safado Te causar gemidos e prazeres Provar teu corpo tão desejado Satisfazer teus tantos quereres Quero te amar sem hora Sem uma regra ou lugar Não me importa o mundo lá fora Se só quero, de todas as formas, te amar. (Alexon Fernandes)

Ente

Sangrando em desejo Ao secar por teu beijo Demorado, forte, fonte Meio comida, meio bebida Ao lembrar em calores  De teu corpo quente  De teu suor solvente  Que te salga e tempera Quisera eu estar presente E ficar demoradamente  Na tua cama, na tua coisa toda  E que você me aperte, me arranhe  Que morda, cravando-me os dentes  Vem a dor sorridente, meu prazer latente  O mundo ao redor é dormente.  E tu, és nada, somente a dona de meu corpo e  E minha mente.  (Alexon Fernandes)

Agora, sempre, aqui

Daqui, ali  Fui, sai Voltei. Por quê? Não sei, esqueci.  Destranquei, abri Parti, dobrei A esquina que vi Pra quê? La eu sei? Nem aí... Tropecei, quase cai  Me equilibrei, segui Mas continuei Com vontade de você  Agora, sempre, aqui (Alexon Fernandes)

Ainda vou...

Ainda vou... Saber de cor teu corpo inteiro  Teus gostos, texturas e cheiros O mapa de tuas pintas  e tuas ilhas feitas à tinta.  Ainda vou te roubar o juízo  Te mostrar carnais paraísos  Ser teu anjo pervertido  Divertido e com sexo Ficar no teu corpo conexo Ainda vou te levar para dançar  Dançarei mal, mas serei o tal  Te arrancarei gargalhadas Mãos dadas e beijos... Muitos... Mais nada.  (Alexon Fernandes)

Anjo Caído

Céus, sóis, nós

De céus e sóis  Estamos nós, à sós  As mãos dadas são mapas que se encontram  Caminhos que se perpassam Como que combinados antes de tudo, antes da vida  Tu dizes que é o universo  Eu desconverso, lhe faço versos Te trago para perto e, certo do teu beijo,  Fecho meus olhos, abro minha alma E a calma onda em seu fim bate em nossas pernas  O que será de mim não sei  O que será de ti, menos ainda Mas que sejam eternas  Minhas juras e tuas curas  Nossa vida futura  Minha querida, seja bem-vinda (Alexon Fernandes)

Só tudo...

Eu te abraço  E puxo teu cabelo  Te arrepio os pêlos Só de tê-los  na ponta da língua  E ainda que tentes  Não resistes, estás quente Crente que poderás parar  quando ordenares  Trocamos olhares... Já não somos ímpares  Nem imparciais Somos dois, nada mais  Entregas-te a mim, desistes O depois não existe  Nem o que antes vistes  Es o agora, não há o lá fora  Só o aqui dentro, entro Guardas-me, amarras-me  Com pernas e braços  Sou tudo  e somente o amor que te faço  Sortudo  Eu sei, desejei, alcancei  Dei o que querias  Porque também eu tanto queria  Que sabia que seria  Hora ou outra, dia mais, dia menos. Aproveitemos, gozemos... (Alexon Fernandes)

Dói

Dói quando invento de lembrar  Dói quando tento desmemoriar  Dói se for explicar Dói se for racionalizar  Dói de fazer desistir  Dói como um morto feto parir Dói a arranhadura de sair Dói até existir Dói de fazer tremer Dói de fazer gemer Dói pedir à Deus boa mercê  Dói saber quem foi você  (Alexon Fernandes)

Grave

Grave Tua voz é grave  E não há entrave que resista  Força de vontade que insista  Em não ceder ao pedido,  em verbo aéreo, sussurro  Meio zombando, meio sério  É mistério... É um jeito, um andar num vestido azul, um parar E, meu Deus, um olhar... Eu quero que tu graves E na doce maldade me craves Unhas e dentes  E eu, infeliz indigente, em dor contende  Vencerei a gravidade e te levarei ao céu.  Pois, então, quem quiser que grave As minhas palavras, meus anseios escritos Meus ditos e não ditos  Pois se tu vieres, em teu jeito grave, pedindo em de fá clave Reze pois dois Pais e uma Maria Ave Será demais... Será... grave.  (Alexon Fernandes)

Quase

Um desejo quase pecado Um segredo quase falado Uma mentira quase fé Uma partida quase marcha-ré Uma saudade quase fome Um adjetivo quase nome Um distância quase dor Um ódio quase amor (Alexon Fernandes)