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Mostrando postagens de setembro, 2014

Pássaro

Com asas largas Deixei no chão as amarras Sentei o vento no rosto e sol nos meus ombros  Fui para outros mundos  E em segundos não estava mais lá.  No céu profundo eu vi o mar cortado de horizontes  Rasgado de montes  Naquele instante eu alado, descolado da dor, do peso  Era eu, só que pássaro. (Alexon Fernandes)

Se amar é...

Se amar é não querer antecipar nada, mas querer que o tempo corra mais rápido, só para ver alguém;  Se amar é viver o presente como se a dor do passado não existisse e pensar num futuro sem medos; Se amar é ter alegria de sentir a presença da paz silenciosa que fala mal alto que mil vozes; Se amar é perceber que a diferença pode ser assustadora e também encantadora; Se amar é ver que o acaso apronta das suas e depois lhe dá um largo sorriso; Se amar é não entender porque aquele alguém não está na sua vida há mais tempo e achar tudo o que aconteceu antes foi perda de tempo; Se amar é o que estou sentindo, Então eu sei o que é amar.  (Alexon Fernandes)

No Rio procura-se...

Desde que te abri os braços no Corcovado Plantei amor em Laranjeiras E mesmo que queria, eu não me lembro Se te perdi no Flamengo ou em Realengo Já fui até Paciência, ninguém la tem tua ciência  Na praia de Copacabana te procurei pra mais de semana Te ver que é bom, nem na Barra nem no Leblon Já fui no Centro, no terreiro e no Aterro No samba da Mangueira, da Portela e do Império  Não se revela o mistério quando pergunto de ti. Imagina, fui até em Acari e na Bariri de Olaria Só olhar teu rosto era o que eu queria Fui no Campo Grande, tamanho da minha saudade E nesse tema percorro toda cidade Ontem fui a Ipanema, só por curiosidade  Saber se por lá você está. Passei no Humaitá, ponto de encontro e desencontro,  Quem sabe lá... Que esbarra na Lagoa que é puro encanto Encantado foi outro canto onde te procurei Já não sei onde ir. Subi à Penha e pedi ajuda ao céu Amanhã vou à Vila Isabel.  (Alexon Fernandes)

Poesia

Quanto fugiste de mim E eu quase me perdia Te encontrei na poesia  E nas palavras que não te falei Mas que de um modo as registrei  Nos versos que aprendi fazer De um jeito reverso de dizer  Da falta que causaste Do buraco que cavaste  Quase minha sepultura  Da quase morte busco a cura  Não te encontrarei talvez Mas escreverei de vez em quando  Enquanto palavras não me faltarem Como me faltam teus jeitos,  Gestos, voz... Falta um "nós" Que da foz de meu olhos vertem Uma lágrima de saudade,  Salgada de vontade  De voltar naquela hora primeira Em que tudo era meio brincadeira Da minha paixão maior Hoje sou só... Sou dó menor Em aperto sustenido no peito sentido.  (Alexon Fernandes)

Dias Contados

Teus dias estão contados Cada um deles Conto os dias que não lembro de ti E os dias que não lembro que lembrei de ti Conto cada dia, quase mania Coisa regrada, feito tabuada Vezes um, vezes dois, vezes três... Os dias em que sol fez Os dias em que choveu De contar dias vivo eu Essa é minha sentença Centenas, dezenas, unidades Já são de dias milhares Mas se chegar o dia em que eu pare E num milagres tu voltares... Esquecerei das contas que fiz Só lembrarei do bem que te quis (Alexon Fernandes)

Tem de tudo.

Tem bem que dói que nem maldade, Tem mal que é doce que nem bondade, Tem paixão que não deixa saudade, E raiva que só fica na vontade.  Tem feiura que é verdade,  Tem beleza que é pura falsidade, Tem caridade que é vaidade, E vergonha que se perde com a idade.  Tem paz que é coisa covarde, Tem "não" que é liberdade, E amor que chega tarde. (Alexon Fernandes)

Você não esqueceu

Você não esqueceu Que era seu, todo seu Você não esqueceu  Cada beijo, cada odor Vapor quente, ainda na sua mente E você mente, e sente Saudades, vontades  Você não esqueceu Agora se perdeu  Era seu. Tão seu... Você se corrói por dentro Ouvindo as músicas que lhe deu As cartas que escreveu  Tudo seu... E você nem se deu Conta, ao amor não se entregou  E seu amor voou Aí está você...  Não se esqueceu.  Assinado: Eu.  (Alexon Fernandes)