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Mostrando postagens de dezembro, 2014

Feliz Ano Novo!

Dois mil e tantos  Que seja tantos os risos Tantos beijos e abraços  Tantos amassos Tantos amigos e abrigos Dois mil e depois Que dois sejam além  De um mais um Que o amor seja comum Cotidiano seja o bem  Dois mil e mais Que seja um ano de paz Melhor do que o ano que vai Feliz ano novo, rapaz! (Alexon Fernandes )

Poderes

Se eu pudesse Todos os dias Poemas te daria Flores te compraria Teu mundo coloriria Se eu pudesse Tua casa encheria Com nobres especiarias Teus sonhos realizaria Se pudesse O mundo te daria E se não quisesses este mundo Um só para ti faria. (Alexon Fernandes, publicado no blog Zero à Direita, em 25/06/2014)

Veraneio

De dias solares, às vezes nem tantos, às vezes só mares De céus de vôo e chuva, de no horizonte uma suave curva Que me lembra a de teus morenos ombros Aquela brisa quente de parece da tua narina os ares De uma cidade-verão, verão luas baixas e obesas Gente sem camisa de sorridentes belezas Nos termômetros, mais de quarenta teremos E dos quarentas passados esqueceremos De mates, águas, cocas e “geladas” nos sinais De bermudas, tentadores shortinhos, desejos carnais Calçadões, biquínis, marquinhas, libidos, olhares trocados De bronzeados corpos, atmosfera úmida, beijos molhados Rio de dezembro à março, da pipa no céu e pé descalço Que toca no chão quente, que marca a areia e se refresca na praia fria Rio de lembrar que esqueci do amor de um verão passado Rio de Janeiro, está aí o que você queria (Alexon Fernandes)

Ela e o pai

Pá Papá Papai Papai, te amo Papai, que isso? Papai, por que no cemitério tem tantas estátuas? Pai, neva na lua? Pai, porque os cangurus não correm? Pai, eu quero ter uma girafa. Papai, posso?  Pai, me dá dinheiro... Pai, que mico!  Pai, para de reclamar da minha saia! Pai, você não sabe de nada... Pai, me leva na festa... Pai, vem me buscar Pai, esse é o fulano... Pai, não vou dormir em casa Pai, passei!  Pai, terminei com o fulano... Pai, a facul tá foda! Pai, esse é fulano  Pai, esse é o beltrano... Pai, acabei a faculdade!  Pai, vou casar com o ciclano.  Pai, vem jantar aqui com a gente.  Pai, você vai ser avô!  Pai, meu casamento está por um triz.  Pai, o ciclano saiu de casa... Pai, você tem um advogado pra me indicar? Pai, você lembra do fulano? Aquele da faculdade... Então... Pai, estou aqui do seu lado. Fica tranquilo. Pai, você está me ouvindo? Sou eu... Pai, não me de...

Quinze Horas

Eram quinze horas E àquelas horas Só pensava em voltar O mais rápido possível Vontade irresistível De com ela estar A mulher que deixara  Era quase tara, coisa rara A esposa de sempre Sem disfarces ou truques Perfumes ou badulaques  A mesma com que dormia e acordava Todos os dias.  Mas ele a queria Com fome leonina  Sua fêmea completa  Sua senhora-menina Pensava em sua pele bronzeada Contrastada com a fina penugem dourada Em suas ancas torneadas Beijos umedecidos Seu hálito aquecido. Ele sentia o peito comprimido. Precisava, já não se controlava O raciocínio lhe escapava  Depois de desejosos surtos Olhou o relógio Quinze horas... E cinco minutos.  (Alexon Fernandes)

Aqui (não) se faz, aqui (não) se paga.

Aqui se faz, aqui se paga.  O preço de não ter feito  De ter perdido, a chance  A hora, o bonde, a oportunidade.  É de tarde, querida...  Aqui não se faz, aqui se paga.  Por ter demorado, por ter decidido errado.  Por ficar parado.  O preço é um não começo. Um nada. Um vazio, de vento assobio. Aqui não se faz, não se paga. Não se traga, não se sorve O gosto forte de vida, Não se resolve. Já era, querida... A hora é passada. Aqui não se faz, aqui não se paga Aqui nada. (Alexon Fernandes)

Eu não penso mais em ti

Eu não penso mais em ti Nem na paixão que vivemos Nos riscos que corremos Ou nas noites que não dormi Eu não penso mais em ti Nas vezes que esperei Tantas vezes esperei... No paraíso que te preparei Eu não penso mais em ti Não te procuro em rostos que nunca vi Não te tenho nos sonhos que não vivi Já enxuguei as lágrimas que chorei Já voltei a sorrir  Eu não penso mais em ti Estou mais bem disposto As coisas faço com gosto Já passou o pior Agora vivo melhor Aprendi a verdade e o fingir  Assim te dou a chance de nunca concluir Se não penso mais em ti. (Alexon Fernandes)

Dez Anos

Era uma manhã solar e fria em Nova Iorque. O aeroporto JFK estava cheio, pessoas transitando apressadas. Ele e sua mãe esperavam a volta para o Rio de Janeiro, depois de uma curta viagem de férias que ele a dera de presente. Estavam cansados e felizes. Era a primeira vez que ela assistira a um espetáculo da Broadway, passeara pelo Central Park e participara um culto batista numa igreja d o Harlem. Mas, aos 70 anos, eram muitas novidades para uma pacata dona de casa, que conhecia a Big Apple apenas pela tela da TV. Aguardavam na sala de embarque a chamada para o vôo. Alexandre foi buscar um café quente para manter-se acordado e aquecido. Na volta, apreciava a luz do sol que invadia os vitrais. "A luz aqui é diferente e tão bela", pensou. Algo lhe chamou a atenção. Como que atendendo a um chamado silencioso, olhou para o lado esquerdo e não acreditou no que via. Fernanda, andava em passos apresados. Ele levantou rapidamente, largou o copo de café. — Espere aqui, mãe. — disse se...