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A Carta

​ Hoje te escrevi uma carta, para declarar o que sinto. E, por incrível que pareça, rasguei o que escrevi. Não sabia. Se dissesse que era amor, de medo me arrependeria, se dissesse que não era, eu mentiria. De certa forma, eu minto. Não assumo, meu instinto te procura, meio doença, meio cura. Então eu sumo. E isso já dura, e me lembro quanto, quando e como. Sim, rasguei a carta. E a farta vontade de você persiste. Vontade e fartura, paradoxal loucura.  Assim vivo, esperando o momento em que cartas não serão rasgadas, abraços não serão raros, nem beijos caros. É... minha cara, nossa coisa estranha e não simples, tão leve. Não me leve a mal, rasguei uma carta. Normal. (Alexon Fernandes)

A Tarde

A tarde cai, inevitável e azul Um vento sul no rosto Era paz, nada mais A tarde vai e um ponto de luz cintila Era a primeira estrela que lembra Quem já nem se lembra mais da dor Do que foi, do medo de um velho enredo A tarde já era tarde, era noite E dia virá, novo e brilhante E neste instante, não distante Era a paz, nada mais. (Alexon Fernandes)

Estações

É outono... época instável, uma ferrugem cobre as folhas, que morrerão, cairão e levarão com elas as dores de outra estação. A natureza troca de roupa, como que no expurgo de suas mágoas e seus ais. E jaz no outono a dor de um amor. Que se foi, que já não mais floria e fazia pesos nos galhos. Em breve, chega o inverno. Em neve, branca e gelada. Que nos fechará as estradas. Lá fora o frio vento. Aqui dentro o alento quente da gente tentando aquecimento. Vem cá... Eu te abraço e de amor te aqueço. Esqueço de mim e vivo o nós, que agora a sós temos tanto tempo. Pouco tempo. Todo o tempo. Pois depois que o inverno passar, só nos restará a primavera.  

Dia da Gentileza

A gentiliza agora tem um dia. 13 de novembro: O Dia da Gentileza. Os dias especiais são referências a algo que precisa ser memorado ou comemorado. Mas a gentileza precisa disso? Temos que lembrar da gentileza, sei lá, como algo inalcançável, tal qual a confraternização uninersal (1º de janeiro)? Ou algo que muitos são resistentes em fazer, tal qual o Dia do Perdão do calendário hebraico? Gentileza é diferente. É mais que uma questão de educação formal, é mais que “as damas primeiro” ou “bons dias, tardes e noites”. Não é um código social. Códigos são quebrados e mudados com o passar do tempo. A gentileza é um modo de viver, que se aprende desde cedo. Gentileza se pratica no público e, principalmente no privado. É coisa de dois, eu e você. É ouvir com atenção, considerar o que foi dito, até discordar, mas contra-argumentar com respeito. Respeito... Está aí, gentileza é respeito próximo, lembrando que ele também é alguém com sentimentos, expectativas, decepções e desejos. Sa...
É tarde Mas é cedo  É o calor É o chefe É o cheque mate Olha o mate! Olha a água ! É o cano da arma Por favor, não me mate! É a gota do sal  É a pedra do sal É a moça que vi lá... É a que não quero ver  É o que eu não quero ser  Na vida, na lida É a carne  É o "gelol" É futebol  É a clave de sol maior, mas tem um bemol... (Alexon Fernandes)

Beleza em movimentos

A beleza também vive nos movimentos. Isso. Quem nunca achou a beleza nos movimentos de alguém? No andar, no gesticular, ou em tantos pequenos trejeitos que nos encantam e nunca mais saem da nossa memória.  Como se o movimento eternizasse aquela pessoa. E, dependendo do nível de convivência, essa beleza se expressa nos momentos mais inusitados. É o jeito de folhear as páginas de um livro, de escolher as roupas no armário, ou até de dirigir o carro.  Eu lembro de como era bela a rotina da hora de almoçar de alguém que viveu muito íntima a mim. Como ela carregava a bandeja, como manuseava talheres e decidia o que comeria primeiro. A minha comida esfriava por causa do meu namoro aos movimentos dela.  A beleza se eterniza em movimentos? Pode ser... O encantamento e a admiração se expressam até em movimentos. Até porque os movimentos, em tese, são expontâneos e por isso são a genuínos.  É isso que nos amarra a alguém. O que ela é por si só. (Alexon Fer...