Hoje te escrevi uma carta, para declarar o que sinto. E, por incrível que pareça, rasguei o que escrevi. Não sabia. Se dissesse que era amor, de medo me arrependeria, se dissesse que não era, eu mentiria. De certa forma, eu minto. Não assumo, meu instinto te procura, meio doença, meio cura. Então eu sumo. E isso já dura, e me lembro quanto, quando e como. Sim, rasguei a carta. E a farta vontade de você persiste. Vontade e fartura, paradoxal loucura. Assim vivo, esperando o momento em que cartas não serão rasgadas, abraços não serão raros, nem beijos caros. É... minha cara, nossa coisa estranha e não simples, tão leve. Não me leve a mal, rasguei uma carta. Normal. (Alexon Fernandes)