Passamento

Homens passam em seus passos apressados. 
Não se olham, não se veem, não se sabem.
O dia, o trânsito, o compromisso, o relógio que não espera. 
Não percebem o passar dos tempos, dos filhos que crescem, desconhecidos. 
Parecidos com algo que se sonhou e não se viveu. 
O que se vive, afinal?
O que é bem? O que é mal?
Anda tudo tão igual...

Homens passam em seus carros fechados.
De vidros escuros por fora e atmosfera fria por dentro.
Não se abrem, não se permitem, não perguntam. 
E já que não permutam, lutam. 
Inimigos desconhecidos, do mesmo medo mutuam. 
Sozinhos, homens, aterrorizados.

Homens passam em suas vidas. 
Sem viver, sem ceder, aos outros e a si mesmos. 
Sem beijar longamente suas amadas, se é que as são.
Ganham, perdem, investem, insistem em vão.
Fartos de tudo e carentes de si, de Deus, de amor. 

Homens passam e morrem sem ver o sol nascer. 
Sem um grande amor ter, se a paixão conhecer. 
Secos e cinzas permanecem. Não foram jovens e envelhecem. 
Sem entender que precisavam passar, mas que era necessário também parar. 

(Alexon Fernandes)

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