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Novo Ano Novo

Era fim de ano. E ele sempre fazia votos, todos finais de ano. De que mudaria a vida, de que emagreceria, de que se alimentaria melhor. De que mudaria de emprego, para algo que o fizesse feliz. Arrumou algumas gavetas. Encontrou fotos antigas de amigos dos tempos da faculdade de Economia. Com alguns ainda tinha contato raro, já outros eram somente uma lembrança da foto amarelada que registrara um momento feliz de qualquer um daqueles anos agitados. Achou também bilhetes de passagens aéreas, postais, contas vencidas e até um cartão de aniversário de uma ex-namorada. Rasgou algumas coisas, outras guardou em uma pasta dessas de papelão. Etiquetou: Fotos e lembranças. O telefone tocou. Era sua mãe, perguntando se ele iria no almoço de final de ano. “Seu pai está doente. Vai gostar de ver você”, ressaltava ela. A doença do pai era algo que lhe incomodava. O homem ativo e audacioso de outrora, agora era um velho fraco e dependente. Não gostava de ver seu pai, um verdadeiro herói da sua ...

Abraço

​ Pequeno pedaço de nós Juntos, à testemunhas ou à sós Lugar que se faz casa, aconchego Onde da vida me achego, E me protejo e moro. Há vezes que por ele eu oro Aos céus eu peço em pensamento. Por aquele momento, em que da inerente aflição me desfaço Neste pequeno pedaço de nós, Nosso abraço.

Brisa Impossivel

​ Brisa impossível Que beijou o rosto Suave, que acolheu E envolveu de forma completa Brisa impossível Pega desprevenido quem pelo calor é aturdido Brisa passageira, Passeia mas não pertence Brisa que passou Que era aprazível Mas não ficou Porque era brisa Porque era impossível (Alexon Fernandes)

Casamento

Vamos casar, eu e você. De roupas clara, de pés baixos. Com crianças rindo velhos felizes assistindo. Com música alegre, e alma leve. Vamos casar, com cheiro de mar e frescor de grama. Sem pompas ou dramas. Meio jazz e meio hippie. Chama quem nos ama. Vamos casar, em breve ou não. Até porque não nos conhecemos ainda. Ou se nos conhecemos, não sabemos. Que vamos casar, com anel e buquê. Vai ter até certidão. Vai ser pra valer. (Alexon Fernandes)

Tua Beleza

Tua beleza não vi em revista Não é coisa de cinema, Não é coisa de artista Tua beleza está no instante Na fotografia, na hora flagrada Tua beleza vive em teus movimentos No teus olhos grandes, no sorriso Tua beleza não foi comprada É dormindo, é acordada Tua beleza... dúvida e certeza Ai de mim, ai do mundo, Mesmo que por um segundo Sem tua beleza (Alexon Fernandes)

Veraneou

​ Mesmo que haja problemas, Que a pressão seja grande, Que a voz não seja ouvida, Nem a mensagem entendida, Mesmo que a incompreensão prevaleça E a estupidez apareça Começou o verão. No horário e na estação. Virão o calorão e o mate com limão. Terá a praia lotada (talvez, arrastão). Também piscina Toni na laje. Marquinha aparecendo no decotão. Falaremos de aquecimento global, Fritaremos ovo no chão. Tá lotada a Lapa, mermão. Na escola tem sambão. Começou o verão. No horário e na estação. Que seja de amor, que seja de paz. Porque a vida não está fácil, rapaz. (Alexon Fernandes)

Conto Nº 2

Era domingo. Fria manhã. Ela acordou mais que o usual. Sentiu-se estrangeira na própria cama, apesar do cenário batido. Fechou os olhos, na ilusão de que ao abri-los novamente tudo poderia mudar. Não mudou. Ela ouvia a respiração profunda, pontuada, incômoda. Tudo se tornara incômodo. Não o reconhecia mais. Não se reconheciam mais. Ele era o homem que ela julgou que amaria para sempre. Não que ela tivesse deixado de amá-lo. Talvez, sim... Provavelmente. Mas era difícil aceitar. Já não havia mais o ânimo de antes, a vontade, o brilho. Não era a rotina, não eram problemas. Simplesmente não era. Mais nada.  Levantou. Pela fresta da persiana, ela notou as poucas gotas de chuva. Olhou para a cama e percebeu que se ela desaparecesse o sono dele não seria interrompido. Mudou a roupa, lavou o rosto, calçou um par de tênis. Foi à cozinha, bebeu água. Saiu. No espelho do elevador, via-se por inteiro. "Merda. Engordei.", pensou ela. Mesmo assim, enxergava-se bela. Como era be...